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«O Filósofo»

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Conversas em Tertúlia


Tertúlia em Miraflores, Janeiro de 2012. Participaram no diálogo Luis Furtado (LF), João Seabra Botelho (JSB) e Francisco Moraes Sarmento (FMS).


Já será tempo de conversar sobre José Marinho?

Num inverno invulgarmente soalheiro, a tarde aprazível convida a um passeio. Alguém interrompe o silêncio:

JSB – Meu caros, terminou há dias o ano em que se completou o cinquentenário da publicação da Teoria do Ser e da Verdade. Uma vez que as vozes institucionais já fizeram as homenagens que tinham a fazer, o Marinho está outra vez disponível para conversar connosco...

FMS – Não esteve disponível porque estava ocupado a participar nas homenagens, ou porque andava a fugir delas?

(risos)

LF – Bem, então eu faço a pergunta que ele nos fazia, quando chegava à tertúlia: “Temos conversa?”

FMS – Temos, sempre!... Tenho andado a ler S. Tomás de Aquino e, por estranho que pareça, fui parar a Marinho. Hoje, estou em dizer que o conceito de insubstancial substante é um conceito inspirado por Aquino. E tomando em atenção as teses de Aquino, acabei por concluir que José Marinho é Aristotélico.

LF – Em que sentido?

FMS – Bem, é a leitura de Aquino que me permite entender o insubstancial substante sem decair nas muitas leituras que, infelizmente, andam por aí, e que tentam empurrar Marinho para uma tradição céptica e nihilista.

LF – Para mim, o conceito de insubstancial substante resulta de uma equivocidade que está no próprio fundamento do pensamento humano. O acto de pensar nunca se cansa de si mesmo, porque o pensamento sempre se recria, principalmente quando tem sobre sua égide a própria mente divina. O insubstancial substante, portanto, em todos os momentos morre, e em todos os momentos renasce de si-mesmo. No renascer está precisamente a sua substancialidade, afirmada no pensamento, já que este nunca se contradiz a si-mesmo como realidade, como essência de si.

Mas eis agora a perspectiva do homem, que é a perspectiva de J. Marinho. Marinho é um homem de perplexidades, que se vê perante a alta missão do seu pensamento, que reconhece o alto grau que esse mesmo pensamento pede para a reflexão sobre si-próprio. E esse pensamento, na pureza de si-mesmo, porque está alto, porque deseja contemplar a verdade e o ser da verdade, apenas encontra como reflexo a própria natureza humana. E o que é que lhe diz a natureza humana? Diz-lhe que o infinito ser sempre se nega - nega-se em todas as substâncias criadas; mas também persiste, porque permanece sempre como poder de afirmação.

FSM – Pois o que me surpreendeu, foi a dissolução do equivoco... A expressão insubstancial substante, que aparenta ser intrinsecamente equívoca, segundo uma interpretação aristotélica de S- Tomás, deixa de o ser. Perceberá isto quem se lembrar dos argumentos de S.Tomás que concicliam a tese da eternidade do mundo e a existência de Deus Criador.

LF- Bem, quanto a mim há, realmente, uma equivocidade! No entanto, é certo que, no insubstancial, sempre a preposição apela ao substante... O substante é o fundamento, que o pensamento continua indefinidamente a procurar, porque o pensamento não tem posssibilidade de se contrariar, mesmo na negação, pois até na negação se reconhece, quanto mais não seja como fundamento de si-mesmo.

FMS- Isso é pedagógico...

LF- Não, não é apenas isso. O ser tem de negar-se para se afirmar.

FMS – A negação não é necessária à afirmação do ser. A negação é sempre provisória...

JSB – Creio que essa seria a tese de Álvaro, e nisso discordaram os dois Amigos. A tese de José Marinho, quanto a mim, não é essa. Em Marinho, a cisão é irrefragável! Não há humana afirmação de ser que dela, cisão, seja imaculada; o não-ser, não sendo o que é, como que assiste o que é, a ser. Eis o enigma fundamental que, segundo Marinho, move todo o filosofar.

LF – Sim, e Marinho teve a virtude de levar toda a problemática da filosofia, da filosofia em geral e não apenas portuguesa, para este tema axial. E poucos o entendem. E embora seja um autor de relevância mundial, é intraduzível; a sua escrita é inevitavelmente hermética, não suporta tradução. Há uma cisão extrema, e a cisão extrema explica necessáriamente um eleatismo de tipo metafísico. Nós temos a nossa velocidade própria de pensamento, potencialmente infinita, e viajamos dentro de nós por mundos infinitos, dentro dos quais nos sentimos concêntricos, como se fôssemos senhores mas , bem no fundo, estamos a alargar as nossas cavernas, ou seja, os nossos possíveis céus.

No contexto da Terra, alargamos os nossos horizontes. E por isso as viagens dos homens adquirem vários significados, porque o homem pode navegar infinitamente, através de vários mundos. A cisão extrema, para Marinho, é pressupor que, no fim de tudo, na grande finalização teleológica da História dos Mundos e do Ser em relação a esses Mundos, mais uma vez, perante o infinito inesgotável, o que o homem pode conceber, ou a realidade que o homem pode usufruir, é sempre separada. A cisão extrema fala-nos, e impõe-nos, autoritáriamente, que há sempre algo finito que para nós serve, mas, no fundo, que está perante o infinito inconcluido. A cisão extrema é para além dos homens e das circunstâncias que os envolvem na sua própria evolução.

Sob o ponto de vista antropológico, partindo do princípio que há um fim teleológico do homem nesta dimensão espacio-temporal, há sempre uma cisão extrema, porque Deus, como diria Pessoa, é sempre para além da ogiva, o grande ser acima de tudo, acima de todos os anseios, acima de todas as nossas especulações – e ainda bem! Sem isso, a nossa existência na Terra poderia ser programada por etapas, poderia ser mais ou menos definida e orientada, e não haveria algo, para além de tudo, perante o qual nós sentíssemos que o mistério da existência tivesse solução possível.

FSM – A autognose é concêntrica? Na autognose o homem não se conhece apenas a si mesmo... Na autognose conhecemo-nos a nós, e a todo o Mundo!!!Não há, por isso, redenção do mundo sem salvação do Homem, por muito que isso custe aos ecologistas e aos amigos dos animais da nossa praça! E, já agora, eu diria que só temos cisão na Criação... Perante a eternidade do mundo, o que é a cisão? Aliás, para mim a cisão é uma noção teológica, embora todos andem a tratá-la como se fosse uma noção antropológica.

JSB- Caro Francisco, parece-me que quererá dizer que o Mundo é perpétuo, não eterno. A eternidade, como sabe, está fora do tempo e da sucessão dos momentos, e o Mundo não o está, certamente... A tese de Aquino, creio, é a da perpetuidade. Quanto à cisão extrema, como lhe chama Marinho, ela é apresentada quase como se fosse um atributo divino; mas se Marinho não carece da inteligência que permite aos homens não limitar ou antropoformizar o Divino, ao dizer que a cisão seja em Deus, terá de dizer que essa cisão é para nós, e não para Ele; e é por ela ser para nós, que a autognose de cada um não poderá abarcar nem uma só gota do que está para além de cada um; no entanto, não haverá nenhum limite ao que a graça Divina queira dar a conhecer a cada um... Mas isso, já será sófico e misterioso, está, julgo, para lá da autognose enquanto tal...

LF- A autognose é sempre concêntrica em nós. E excêntrica em relação a Deus. É a graça que ultrapassa os Mundos e as dimensões que temos como referências relativamente ao nosso espaço e ao nosso tempo. Pensamos que o milagre não existe... Pensamos até, embora não acreditemos, que é impossível uma comunicação, mas o beneficio da graça é algo que nós recebemos para além de todo o espaço e de todo o tempo. Isto foi uma das heranças que recebi, não só das leituras de Leonardo Coimbra, com também da mestria do Álvaro Ribeiro. A gnose, repito, como algo do conhecimento que nos é dado, e que para nós serve como semente de evolução e como ascensão para a nossa possível realização interna, é algo que em nós se opera, em nós se confirma, em nós se dilata, abrangendo, por si-mesma, tudo o resto, que no fundo é a realidade, realidade essa a que chamamos mundo. Não tenhamos o receio de sermos mónadas!

FMS – Se eu fosse a ave metafisica do Sant'Ana Dionísio diria que na autognose todo o homem se sente divino.

JSB – E esses momentos, como talvez Marinho lembrasse agora, não são, na autognose, o entusiamo que caminha sempre a par e passo com o lamento de Cristo”Pai, Pai, porque me abandonaste”? Nenhuma monada subsiste apenas da sua harmonia interna!Mas talvez, quem sabe, essa harmonia seja já em si suficiente para fazer voar a ave metafísica...

LF-Porque é que a mónada é a configuração? Por que razão nos aparece como o ser infinito de Parménides, o ser concluso para o qual transferimos contradições, interrogações... O que interessa nas mónadas, na sua sua conclusividade que parece negar o infinito, não é a contradição do infinito. O infinito, para o ser humano é como um imenso oceano de reserva a partir do qual todas as finitudes se dispoêm nas suas múltiplas correspondências e nas suas especiais simpatias. Mundos diferentes sim, mas conclusos na sua harmonia, sabendo nós que essa harmonia faz parte dessa outra harmonia geral que é aquela que nos movimenta o espírito e que ao mesmo tempo faz com que tudo o que pensamos possa ser concebido. Verdadeiramente, não há conceitos singulares que por esta génese não sejam universais. E que por esta luz interna, fogo activo, não se torne propriedade comum universal de tudo o que é o nosso conceber. Os conceitos a priori serão sintéticos? Nós pensamos que todos os conceitos serão gerados em nós porque fazemos parte da universal geração de tudo o que é o nosso conceber. Presumo que não é nas ciências evolucionistas que está a geração de toda as coisas. Nem estas ciências tem ainda a atitude firme de receberem em seu seio aquilo que é o movimento evolucionista do mundo! Mas há no espírito humano como que um polo de referenciação que vai distinguir aquilo que é o nosso conceber. Neste caso, concebemos pelo espírito. Por isso mesmo concebemos para as ideias e isto sustenta em nós uma perspectiva abençoada e possivelmente transcendente de todos os mundos que possamos conceber.


 

Novos Textos


Orlando Vitorino


Traduções portuguesas de filosofia

Subsidios para a história da filosofia portuguesa

- Primeira Parte -

1. A tradução dos livros de filosofia pode considerar-se devida a quatro ordens de motivos: a motivos culturais, quando se consideram tais traduções como forma de enriquecimento de cada cultura; a motivos literários, quando tais livros sao representativos dos mais altos valores de expressão artística, como acontece com Platão, Cícero ou Hegel; a motivos religiosos, políticos ou científicos, quando essas manifestações encontram na filosofia ou um complemento que as prolonga ou fundamento de que carecem; a motivos propriamente filosóficos, quer quando um pensamento virtual, de demorada expressão, recorre à expressão próxima ou análoga dada por filósofos estrangeiros, quer quando um pensador ou um movimento original procura, na tradução de obras filosóficas, a expressão de filosofemas e até sistemas que se conjugam e vêm fortalecer e ampliar um pensamento original.

(excerto - clique no titulo para ler texto completo)


Mário Ferreira dos Santos


Da Perfeição e das ideias

É no tocante à perfeição que as concepções de Aristóteles e de Platão se dividem. Aristóteles é empirista-racionalista, e a esquemática da conceituação física é nele predominante, levando-o a colocar a perfeição na substância individual.

Este cavalo, aqui e agora, é mais perfeito que a cavalaridade, é mais perfeito que a sua forma. Ademais, há apenas uma existência real para ele, que é a individual, pois as formas não se dão fora das coisas. E é o indivíduo o mais perfeito, porque é mais determinado, já que ele é a última determinação da sua espécie, e é uma existência real.

Para Platão, é o contrário. A perfeição é do logos de que os entes participam. Nenhum ser individual realiza plenamente a perfeição específica, pois nenhum ente, individualmente, é tudo quanto, dentro da sua espécie, pode ser. Esta abrange, portanto, um âmbito muito mais vasto e nela se incluem todas as perfeições possíveis das determinações, não actualizadas axiológicamente por Aristóteles.

Mas o logos, que é o inteligível dos entes (para Platão não se separa do ontológico, pois este é o logos da entidade), é a razão de ser do que é isto ou aquilo. O ser inteligente é aquele que capta a inteligibilidade do logos das coisas, e que pode analizar, extensa e intensamente, o que um ser é.

(excerto - clique no titulo para ler texto completo)


João Seabra Botelho


Devaneio sobre a Beleza e a Arte


Nota: Este texto foi escrito a convite de Manuel Bernardes, para integrar o catálogo da exposição individual de pintura que realizou em Fevereiro de 2011


capa de catalogo“Tudo o que n'Ele tem permanecido invisível desde a criação do mundo será visto claramente ao apreendermos as coisas que criou” (Romanos, 1:20)

Os que olham para uma pintura esperam que o intento do artista tenha sido o de abrir uma fresta nos limites deste mundo, por onde passe uma réstea de Beleza. O artista, esse, espera que os olhares que procuram a sua pintura se deixem guiar pela luz, as cores e as formas dos seus quadros, ao encontro das subtis energias que fluem dessa fresta.

E é assim que a Beleza se torna real, e visível, apesar de não ser deste mundo.

(excerto - clique no titulo para ler texto completo)


João Seabra Botelho

O Aristotélico insubstante do

platónico Marinho – VI

ἅπαντ᾽ ἐπαχθῆ πλὴν θεοῖσι κοιρανεῖν: ἐλεύθερος γὰρ οὔτις ἐστὶ πλὴν Διός.

Todas as tarefas pesam, excepto reinar sobre os Deuses; livre é nenhum, senão Zeus.

Ésquilo, Prometeu Agrilhoado, 35


A era de Zeus

Segundo a Teogonia de Hesíodo, Sócrates, Platão ou Aristóteles viviam na era de Zeus.

Ao abrir o sentido da “Metafísica” com as chaves forjadas na anamnese, deparei-me com o que chamei um vero Aristóteles, cujos contornos se foram compondo ao longo de quase dois anos de hermenêutica. Nesse percurso, tanto me fui afastando do “Aristotelismo” - a visão consensual e milenar do Filósofo, que uma nova matriz causal unificante me foi exigida. Essa matriz, a dado momento me apercebi, já sem surpresa, só podia ser identificada como “a era de Zeus”. Sem surpresa, pois os construtores do “Aristotelismo” - tanto os mais notáveis comentadores como a interminável multidão de estudiosos anónimos - tinham vivido, todos eles, já nas eras proféticas do Cristianismo e do Islão, e essa sua condição existencial afectava radicalmente a sua hermenêutica. E nem mesmo a visão inovadora de Nietzsche e seus epigonos alterou essa situação.

(excerto - clique no titulo para ler texto completo)


Luis Zuzarte

A propósito de René Guénon

René Guénon é, decerto, o mais importante intelectual e pensador, diremos, exactamente, «metafísico», do tradicionalismo ocidental. Na sua vasta e notável obra, estabelece o contacto, a ponte e a ligação entre o tradicionalismo ocidental e o tradicionalismo oriental, demonstrando, mediante pacientes, penetrantes e agudíssimas escavações nas legendas, nos mitos e nos símbolos, quer ocidentais, quer orientais, que uma mesma e única tradição existe, embora diversamente repartida pelos lugares e pelas épocas. A essa tradição chamou «primordial» e, dentro da linha que nos é própria e peculiar, podemos afirmar ser aquela tradição que inspirou e se exprime e manifesta nos «textos bíblicos».

(excerto - clique no titulo para ler texto completo)

Afonso Botelho

A contemplação



Afonso Botelho

O espírito crítico



Álvaro Ribeiro

Recensão «A essência do


conhecimento»

Inéditos* de
José Marinho

Juízo Final


Em nome do Deus subtil se falou de juízo final. E os homens, enquanto são também no engano de ser, e assumem a liberdade de pensar sem garantia no que chamamos insubstancial substante, se atribuíram um juízo final.

Juízo final, porém, como tudo quanto foi revelado, tudo quanto se manifestou e proclamou, do mais excelso ao mais trivial, é para interpretar-se. Ele não significa, como se tornou evidente pela nossa teoria, decisivo distinguir de verdade e erro, bem e mal, justo e injusto, mas o sublime anular no insubstancial substante, em si e para si, mas em nós e para nós, de toda a distinção e divisão da cisão, conforme a dissemos, a cisão pela qual há a distinguir e dividir no que sabe, ou no ser do que sabe, ou no ser para o que sabe.


O homem é para si como o encoberto

Só se descobre o coberto ou o encoberto.

Nós dizemos coberto o que tem sobre si algo que o esconde aos olhos. Deste modo, por exemplo, o corpo se diz coberto pelos vestidos. Quando, porém, dizemos encoberto, ou hesitamos entre o cobrir e o encobrir, coberto e encoberto, tal dizer, e a perplexidade no dizer, revelam sentido mais fundo, maior dificuldade da apreensão e do conceito. Assim, ocorre já em expressões comuns, ao referirmos, por exemplo, o céu, ou o sol, coberto ou encoberto. Coberto convém ao simplesmente sentido ou percebido como velado. Encoberto, por seu turno, convém quando o acto ou o agente de cobrir de modo mais ou menos indirecto ou mais ou menos consciente se referem.

Se retiro os vestidos, o corpo aparecerá em sua nudez; como poderei, entretanto, retirar as nuvens que velam o que é para mim céu indefinido, indeciso, ilusório, ou face do sol? Fui eu próprio, ou alguém, quem se vestiu: e o refiro num processo, desde o primeiro ao último gesto. E tal como vou da nudez ao corpo vestido, posso regressar deste àquela. Perante o que aparece coberto, depende de mim ou de alguém descobri-lo; perante o que aparece encoberto dificuldade em grau maior ou menor se depara. O processo e a consequente situação escapam-me, de algum modo: ou ao meu poder, ou, mais subtilmente, ao meu saber.

Tal a breve síntese das longas reflexões sugeridas pela situação do homem quando regresssa do sentido do mistério remoto ou do drama insolúvel ou irresolúvel, ao sentido do renovado enigma do ser da verdade para si.

No sentido menos comum ou já trivial do drama insolúvel, um ser alheio ao ser do homem é, para ele, como o de que o seu ser depende; no sentido exclusivo do mistério, toda a consciência, todo o conhecimento, todo o saber quedam dependentes de uma verdade alheia ao pensamento.

Que significado, porém, pode encontrar-se para tal dependência? Pois o que depende do que é enquanto é, ou é ser da verdade, e se dirá então absoluta ou estrita e inelutável necessidade, outro certamente será do que ele. Se é, porém, o irredutível outro, como pode tal relação de algum modo estabelecer-se, como o que se sente, como o que se crê, como o que se pensa?

E o que depende enquanto pensa, depende então da verdade substancial do que é, mas com a condição de algo haver dessa verdade no próprio ser como o que é enquanto pensa, ou no próprio pensamento. Se, porém, no pensamento a verdade é como substancial, ou como o que plena e necessáriamente cumpre todo o pensamento, que sentido tem então pensar? Pois pensar é carecer de algum modo da verdade que na visão unívoca não foi, ou não foi para si, ou foi dada no limite do ser qual somos ou do pensamento qual pensamos.

De qualquer modo, e isso importa atenta e reiteradamente considerar, o homem é para si como o encoberto, e o será em seu ser, ou no pensamento, ou num e noutro.

José Marinho

* Homo Viator esclarecerá a origem destes inéditos em devido tempo

Nec
Oblitus!

Nunca esquecidos!
(em ordem alfabética)


Afonso Botelho



Álvaro Ribeiro



Francisco
Sotto-Mayor


Jorge Filgueiras


José Marinho



Leonardo Coimbra


Luis Zuzarte


Mario Ferreira
dos Santos



Orlando Vitorino