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      João  J. Seabra de

         Sousa  Botelho

   intrépido  e  errante

 filósofo (desde a mais

     tenra idade).

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Citação...

de

Heródoto

11/07/2007

 

Novos escritos

 

Nota sobre  a actividade da classificação de filósofos

21/08/2007

 

O ocaso do Reducionismo

07/09/2007

 

Com meu sôfrego amor inexperiente,

Quis amar e ser amado.

Amei eu toda a gente  

Que se encontrou a meu lado...

 

Os amigos, porém, não me entenderam,

Nem eu os entendi; ai deles e de mim!

Os laços que se deram se desderam...

Fugimos de o dizer; mas foi assim.

 

Mesmo assim, julguei eu que os aceitava

Em que recantos nem sei bem do peito!

Nenhum deles, porém, mo acreditava...

Eis a razão por que os já não aceito.

 

Minhas mais íntimas virtudes, vi-as

Por eles próprios humilhadas.

E as mãos que lhes abria, retraía-as,

Como quem pede, embalde, nas estradas.

 

Mas serei eu melhor? Serei mais justo?

E eis o meu desespero maior!: ver

Como torço e retorço, a todo o custo,

Para acusá-los e me defender.  

 

Excerto de:

"Poema de Amor sem Fé nem Esperança"

José Régio, As Encruzilhadas de Deus.

 

As palavras da Poesia são bálsamo para a mente-alma deixada seca por árduos passeios, dados passo a passo por entre perdidas veredas do pensamento cansativo e necessário, no caminho duro que vai da ignorância à sabedoria que cada um exige; impõe-se depois o silêncio, pois não há saber que não vá desaguar no apaziguado silêncio, e repousamos na breve melancolia do sem mais que dizer. É então que a poesia, atrevida e viçosa como criança a brincar em jardim, pode vir redizer alguma da humana simpatia.

 

Depois de alguns anos a ter aqui a pergunta:  "como é possível não filosofar?", que abria interrogativamente este "sítio" (de monólogo fatalmente egocêntrico, por ausência de companhia...) na aspiração furtiva e ingénua de transmitir a uns mais novos alguma da inquietação saudável e saudosa que nos faz ser humanos, resolvi agora passar à pergunta: -"como é possível resistir à poesia?"

 

Digamos, desde já, que este propósito é tão ridiculamente insensato como o anterior, pois todos os segundos, horas, dias, semanas, meses e anos da vidinha que corre pelas nossas veias entorpecidas de medo e ensombradas de mesquinhez nos grita sem cessar: "O que é que isso interessa?", "O que é que ganhas com isso?"

 

Ora... A bem dizer, nada!

 

Não me expliquei bem? Então Régio conta. ( Por mim, por agora, por aqui me fico.)

 

 

No circo cheio de luz

Há tanto que ver!...

«Senhores!»

- Grita o palhaço da entrada,

Todo listrado de cores -

«Entrai, que não custa nada!

« À saída é que se paga...»

 

(E eu sou aquele palhaço

Com listras!, e estardalhaço,

Chamando público...)

 

Na arena,

Está toda a companhia,

E o público contracena.

 

Excerto de "Amén", "As encruzilhadas de Deus".       

 

 

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(A Introdução de Março 2006)

 

 

 

Como é possível?

 

Como é possível não filosofar? Não corre o pensamento, incansável e inquieto, pelos mais recônditos recantos da nossa mente? E ao fazê-lo não está, as mais das vezes, pensando-se a si mesmo? 

É um facto, ou um fado, que todos nós, nesta época e nesta sociedade, pensamos com a mesma cadência e naturalidade com que respiramos...

Desde crianças, e durante todo o "período educativo", ainda frágeis e incautos, vemo-nos incapazes de escapar ou alterar as condições em que, dia após dia após dia, nos inculcam esse hábito de pensar ininterruptamente...

E, no entanto, apesar de educados neste país Europeu, filho da Cultura Ocidental, não podemos pensar ou aceder à Filosofia Portuguesa... A nossa ilustre Academia e seus ilustres Académicos apenas refere, com modéstia de louvar (?), a Filosofia em Portugal, registando assim o que podemos interpretar como sendo as passagens ou as estadias, porventura turísticas, da Filosofia no nosso hospitaleiro e solarengo País.

Os que, a partir de 1957, se agruparam em torno de um exercício filosófico Português, constituindo o chamado grupo da Filosofia Portuguesa, parece que não conquistaram, para eles e para nós, o direito à cidadania intelectual Portuguesa, uma vez que continuam parcialmente ignorados, e por alguns avatares até mesmo marginalizados, como se comprova na leitura dos éditos curriculares da ilustre Universidade de Lisboa, e sua Faculdade de Filosofia - a única que refiro por me ser possível visitá-la com alguma facilidade.

Entretanto, como não escapamos à moderna benesse de sermos moldados no hábito de pensantes obsessivos, acabamos moldados no pensamento dos outros, disfarçadamente dependentes de outras culturas e outras línguas.

 

A inexistência existente... Prosseguindo, assim, uma vetusta tradição deste País, a dos estrangeirados, zarpamos céleres em direcção às Lovainas e Sorbonnes, para ai arrecadar a autoridade que depois, já na Terrinha, nos permitirá então, em opúsculo certeiro, confirmar a inexistência de qualquer Filosofia Portuguesa.

Fica-nos bem esta singela e paciente pequenez, este contentamento descontente com o nosso modesto rés do primeiro andar, a contar vindo do Céu!

Mas, mesmo na solidão desta Cultura sem coragem para afirmar a sua Filosofia, como é possível resistir ao desafio de orientar esse hábito de pensar para os sobressaltos aventurosos do livre pensamento?

Como é possível não tentar transformar esse processo mental, tendencialmente repetitivo e imposto pela necessidade, num exercício de liberdade e descoberta, num caminho de autonomia e autoria, numa dinâmica de identificação e partilha?  

 

Sei que não vou por aí!

 

Finalmente...reduzir a "Filosofia" a uma disciplina escolar e ver nela a "matéria para marrar", é um dos tristes resultados de um sistema de ensino alienante, tristonho e incompetente. Em vez de promover a autonomia do pensamento, esta "filosofia" é mais um molde para completar o modelo do "cidadão europeu" - um votante pacato, culto mas conformado, consumista compulsivo mas ambientalista, escravo do trabalho mas viciado na reforma e, portanto, um refém do politicamente correcto. Não, isso não!!!

Há que dizer, como disse José Régio em poema inesquecível:

 

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou,

- Sei que não vou por aí!

 

 

Para ler o poema completo, clique aqui.

 

                                                      

Os escritos...

(ou será melhor desistir da Filosofia no ensino obrigatório????)

 

 

 

Os ditos... 

  •  Filosofia? É filosofar... O resto são restos.

  •  a curiosidade, no filósofo, morre depois da esperança!

  •  Errar é humano;sejamos errantes...

  •  Com a Net... há muito para navegar!

  •  A informação já não esta fechada em mãos avaras!

  •  Mas há quem queira mantê-la fechada!

  •  Aqui conversa-se, em Português, claro...

  •  Mas, como sempre, esforçados poliglotas

  •  (até onde o engenho nos permitir)

  •  Todos os planos são para falhar, está planeado.

  •  Qualquer frase fresca merece vir à janela da mansarda

  •  Quem escreve, responsabiliza-se.Quem lê, arrisca-se.

  •  Só há autores. Leitores? Felizmente, já escrevem...

  •  Não leia só os outros... Escreva-se a si.

  • Não por vaidade, mas por curiosidade.    


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Última actualização: 02/11/07.