
ou
Nietzsche, segundo Heidegger
(selecção e
tradução de ofilosofo.com)
“A 6000 metros acima do nível do mar e muito
mais acima de todas as coisas humanas” ele chega à visão do “eterno retorno do
mesmo” (XII, 425)
Zaratrustra toma a palavra…Ensina que o mestre
do “eterno retorno” será o “super-homem” e torna-se claro o saber que o
carácter fundamental do ente é a “vontade de poder”, da qual jorra toda a
interpretação do mundo como posições de valor.
A história europeia revela a sua faceta
fundamental do niilismo, exigindo como necessária uma “transvaloração de todos
os valores que foram tidos como válidos até àquele momento. A nova posição de
valor, que é realizada a partir da vontade de poder que se reconhece a si própria,
exige a sua justificação radicada numa nova Justiça.
Neste período culminante de Nietzsche, a
verdade do ente enquanto tal na sua totalidade quer fazer-se palavra no seu pensamento. E tudo avança em direcção
à educação dos homens que “realizarão a transvaloração”.
Esses serão “os novos homens verdadeiros” (XIV, 332), verdadeiros numa nova
verdade.
“A vontade de poder”, o “niilismo”, “o eterno
retorno do mesmo”, “o super-homem”, “a justiça”, são as cinco expressões
fundamentais da metafísica de Nietzsche. Só pensando conjuntamente as cinco se
pode chegar à força denominativa de cada uma delas.
Por volta de 1881-1882 Nietzsche escreve no
seu caderno de notas: “Aproxima-se a
época em que se dará início à luta pelo domínio da terra em nome de doutrinas
filosóficas fundamentais” (XII,207)
A unidade oculta destas doutrinas fundamentais
constitui a estrutura significante da metafísica de Nietzsche.
O fundamento dessa unidade recebe a sua
determinação da essência da metafísica em geral, e só enfrentando esse
fundamento sem reservas nem máscaras se pode assumir a consciência suprema que
sustenta esse ser que luta pelo domínio da terra, nesta nova era.
À meta mais próxima de meditar nesse
fundamento da unidade interna da metafísica de Nietzsche segue-se assim uma
meta mais remota de meditar na confrontação entre o poder do ente e a verdade
do ser.
Esta meta remota encontra-se infinitamente
longe, se considerarmos a distância a que ela se encontra da sucessão temporal
dos factos e situações desta era actual. Mas isso, que é certamente o mais
remoto, é também o mais próximo se admitirmos que o homem histórico pertence ao
ser e sua verdade, se admitirmos que o ser é a meta única, mesmo que não
expressamente anunciada, do pensar essencial.