|
O
Citacionário não pretende ser um instrumento de feição académica, com contornos
formais, eruditos e pomposos, para passar certidões ou bilhetes de identidade
às falas que aqui vamos cotejar.
O
Citacionário não pretende ter um lugar credível no reino da desconfiança. É, apenas,
um repositório ingénuo, sincero, espontâneo, buscado mas não rebuscado, de temas
abordados pelo filosofar que nasce no desejo puro da
verdade e na liberdade de não desejar mais nada acima disso.
Portanto, não
esperem cuidadas referências bibliográficas; as datas das edições, nome de
capítulo ou número da página e outras especialidades históricas e iconográficas
poderão lá estar, ou não...
É que eu não pretendo convencer ninguém! Não estou a argumentar a favor, ou contra,
nenhuma dogmática. Não estou, sequer, a contribuir e a marcar lugar na, (que
prezo, mas não venero...) ágora da republicana doxocracia
- o reino das opiniões e do nobre instituto do livre pensamento.
Não. Estou na noética,
não na dialéctica.
O Citacionário,
portanto, está aqui
a bem da
sugestão, da ilustração, porventura da inspiração... Quero apenas realçar e
fixar ditos que me surgiram com sentido, com significado, com valor.
Notas:
1. Vem no início uma lista de
Autores apenas para facilitar a vida daqueles cuja mente prefere a escolha por
cardápio
à divagação pelo buffet dos petiscos.
2.
As citações e os Autores estão dispostos em ordem totalmente aleatória, mas em
perfeita consonância com as vibrações da Galáxia.
3. Deixei, por vezes, a
citação na língua do próprio Autor (as mais das vezes, em Inglês, confesso…)
pelo gozo de seguir o insubstituível toque pessoal da fala de cada um, não para
vaidosamente ostentar erudito acesso às fontes… Mas, a bem da Pátria (ou seja, a
bem da Língua Portuguesa), deixa-se uma tradução, sempre que o tempo
chegar para isso.

|
Tolstoi, Leon
Cusa, Nicolau
Decartes, Renée
Gibbon, Edward
Marx, Groucho
Goethe, Johann Wolfgang von
Popper, Karl
Jefferson, Thomas
Menendez Pelayo, Marcelino
Roberts, Stephen
Casti, John L.
Avery,
Samuel
Platão
Ekeland, Ivar
Eckhart
Sheik Abd al-Qadir al-Jilani
Churchill, Winston
Buffet, Warren
Radin, Dean
Mainsfield, Viktor
Hayeck, Friedrich A.
Stange, Paul
|
Bacon, Francis (pintor sec.XX)
Baskar, Roy
Bergson, Henri
Ravaisson, Félix
Mill, Jonh Stuart
Leibnitz, Wilhem Godfried
Frost, Robert
Maritain, Jacques
Wittgenstein
Plutarco
Galileu
Wheeler, John A.
Einstein, Albert
Bohr, Niels
Cuppit, Don
Gil, José
Reagan, Ronald
Virgilio
Foucault, Michel
Locke, John
Finkielkraut, Alain
Heródoto |
1.
Dentro de su mismo ser encuentra cada cual todo lo que quiere, incluso los
mayores absurdos.
../..
Como Descartes, como casi todos los espiritualistas poscartesianos, arranca de
la afirmación de la propia existencia, de la percepción simple, absoluta,
inmediatamente cierta del yo; percepción no adquirida en forma de idea, ni por
juicio, razonamiento o discurso, sino por inmediata y misteriosa intuición. Este
conocimiento es como el huevo en que está encerrada toda la ciencia humana,
así la analítica como la sintética.
../..
Gens ratione ferox et mentem pasta chimaeris.
Y aun esto se lo aplicaba el gran crítico escocés Hamilton a Hegel y a los suyos,
verdadera raza de titanes dialécticos, rebelados contra el sentido de la
humanidad y empeñados en fabricar un mundo ideal y nuevo; designio gigantesco,
aunque monstruoso. Pero ¿qué hubiera dicho de este groserísimo sincretismo el
menos original y científico, el menos docto y el más burdamente sofístico de
todos los innumerables sistemas que, a modo de ejercicios de retórica, engendró
en Alemania la pasada fermentación trascendental? Afortunada o desgraciadamente,
los positivistas han venido a despoblar de tal manera la región de los ensueños
y de las quimeras, que ya nadie en Europa, a no ser los externos de algún
manicomio, puede tomar por cosa grave y digna de estudio una doctrina que tiene
la candidez de prometer a sus afiliados que verán cara a cara, en esta vida, el
ser de toda realidad por virtud de su propia evidencia.
Menendez Pelayo, Marcelino
(referindo-se a Krauss e Sans del Rio, seu divulgador em Espanha)
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2.
Nada, provavelmente, contribuirá mais, nos séculos modernos, ao avanço da
filosofia.... que a consideração, pouco comum na Antiguidade, da ideia de
infinito.
Metafísica e Moral, p.9
Se,
ao invés de atendermos apenas aos detalhes e às aparências do que está
acontecendo, olharmos para as causas precedentes e profundas, de imediato
deveremos reconhecer que todo o ser vivo, quando começa a sua vida, tem origem
num outro ser vivo e único, que lhe é semelhante, através dum princípio, que lhe
é íntimo mas também superior, que de um ao outro passa, sem descontinuidade,
como uma seiva criadora.
E
este é o processo de fundo de toda a Natureza. E esta é a diferença entre a
profundidade das causas e a superficialidade dos efeitos. Esta é a diferença
entre a filosofia do cérebro e a filosofia do coração. Naquela, a beleza não
desempenha qualquer papel, nesta, reina.
Olhemos o Cosmos, como se de cima... Olhemos especialmente as formas dos seres
vivos orgânicos, de que as outras formas vitais são meras esfinges pálidas...
Veremos então aí, e em tudo, como que uma essência elástica que se estende e se
contrai, se dispersa e se concentra; por todo o lado poderemos reconhecer a
presença de algo semelhante ao fogo divino e artístico da teoria dos Estóicos,
que de si se expande e a si retorna, um princípio que, em expansão e contracção,
percorre um processo que termina na definitiva glorificação. No Estoicismo,
triunfo. Na filosofia do presente e do futuro, encantamento.
Para o Materialismo, tudo caminha ao acaso, na medida em que a Vida brota de um
Caos. E, no entanto, a Vida manifesta-se na Ordem e, até, na Beleza. O
Materialismo desconhece a razão disto acontecer porque ignora a causa profunda e
pré-existente da Ordem e da Beleza... Mas para a Filosofia que vá ao fundo das
coisas, seguindo a luz que emana do coração, tudo se pode explicar, na marcha da
Natureza, por um Amor pré-existente, por uma Graça prévia.
Felix Ravaisson, Testament Philosophique et Fragments
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3.
«As maravilhas do mundo fazem-nos pensar num princípio superior.»
Leibnitz
- voltar ao topo-
4.
"A matéria é a permanente possibilidade da
sensação."
John Stuart Mill - voltar ao topo-
5.
"...what I
regard as the ultimate cause of the dissolution of the Vienna Circle and of
Logical Positivism is not its various grave mistakes of doctrine....but a
decline of interest in the great problems: the concentration upon minutiae
(upon "puzzles") and especially upon the meanings of words; in brief, its
scholasticism. This was inherited by its successors, in England and in the
United States"
O que
considero como a causa última da dissolução do Círculo de Viena e do Positivismo
Lógico não foram os graves erros da sua doutrina... mas a diminuição do
interesse pelos grandes problemas; a concentração sobre minutiae ( sobre
"puzzles") e, especialmente, sobre o sentido das palavras; em suma, a sua
atitude escolástica. Tal característica foi herdada pelos seus sucessores, tanto em
Inglaterra como nos Estados Unidos.
[Unended
Quest, Open Court, 1990; p.90)].
No domínio das
ciências as situações problemáticas que põem em causa as teorias vigentes
resultam, regra geral, de três factores: a descoberta de uma inconsistência no
interior da teoria dominante, a descoberta de uma disparidade entre a teoria e a
experiência, ou seja, a prova experimental da falsidade de certas afirmações
teóricas, e ainda, talvez o factor mais importante de todos, a relação entre a
teoria e o "programa metafísico de investigação".
Ao empregar este
termo pretendo chamar a atenção para o facto de que, em todas as fases do
desenvolvimento das ciências, agimos sob a égide de ideias metafísicas, isto é,
conceitos não testáveis que determinam, não só os problemas que vamos escolher
para resolver, como também os termos das respostas que vamos achar correctas e
um progresso ou melhoria em relação a respostas anteriores.
Chamo "metafísica"
a tais programas de investigação também porque eles resultam de de perspectivas
gerais sobre o mundo e as questões problemáticas da cosmologia física, são uma
física especulativa que antecipa a formulação de posteriores teorias testáveis.
.../...
Descartes assentou
toda a sua física numa definição essencialista de corpo, ou matéria. Na sua
essência, ou substância, um corpo é extensão, a matéria é, essencialmente,
extensão (por oposição ao espírito que, enquanto substância que conhece,
pensa ou tem experiência, é essencialmente tensão, ou intensidade). Uma
vez que a matéria é extensão, e extensão é espaço, todo o espaço é matéria, ou
seja, o mundo é pleno, não há vazio. É a teoria de Parménides, tal como
Descartes a entendeu. Mas enquanto que Parménides concluiu que, num mundo pleno,
não pode haver movimento, Descartes aceitou a sugestão que se encontra no
Timeu de Platão, segundo a qual o movimento é tão possível num mundo pleno
como num balde de água; as coisas impelem-se umas às outras, em vórtices, como
as folhas de chá numa chávena que agitamos.
Neste mundo
Cartesiano, todas as causas são acção por contacto, a causalidade é impulsão.
Num plenum, um corpo só pode mover-se empurrando outros. Assim,
toda a mudança física é explicável em termos de mecanismos exactos (clockwork
mechanisms). A impulsão é o princípio da explicação mecanicista.
../..
Leibniz aceitou a
equação Cartesiana corpo=matéria=extensão. Mas Descartes considerava essa
equação irredutível e evidente, clara e distinta. Leibniz, porém, questionou-a:
se um corpo impele outro, em vez de o penetrar, isso só é possível porque ambos
resistem à penetração. Essa resistência é essencial à matéria, é o que permite
ao corpo preencher espaço, ser extensão.
Segundo Leibniz,
temos de indicar a causa dessa resistência: ela deve-se a forças - "as coisas
têm uma força ou tendência para manter o seu estado e resistir às causas de
mudança" Essas forças de repulsão (repelling or repulsive forces) são o
que preenche a matéria. Assim, na teoria de Leibniz, a matéria é espaço
preenchido por forças de repulsão.
.../...
A teoria de Leibniz
é uma teoria da estrutura da matéria, tal como o atomismo o fora. Mas Leibniz
rejeitou os átomos porque, enquanto extensões, mesmo que muito pequenas, o
problema da impenetrabilidade tanto se aplicava a eles como aos corpos em geral.
Em que sentido, então, se pode dizer que uma parte do espaço é preenchida por
forças? Só no sentido em que estas forças emanam de pontos não-extensos, as
mónadas.
.../...
Para Leibniz, tal
como Descartes, não pode haver vazio: o espaço vazio seria um espaço sem forças
de repulsão, que não resistiria a ser imediatamente ocupado por matéria.
Poder-se-ía descrever esta teoria do diplomata Leibniz como sendo uma teoria
política da matéria; tal como os Estados, os corpos têm fronteiras que são
defendidas por forças de repulsão. Na ausência destas forças, gerar-se-ia um
vácuo político que conduziria à imediata invasão pelos Estados circundantes.
Assim, poderíamos dizer que há uma pressão geral no espaço, que resulta da acção
das forças de impulsão e repulsão... Onde não há movimento, verifica-se um
equilíbrio dinâmico resultante de as forças em presença serem iguais e opostas (
e podendo ser muito intensas).
[A Teoria dos
Quanta e o Cisma na Física - Pós-escrito à Lógica da Descoberta Científica]
Karl Popper
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6.
Education
is the ability to listen to almost anything without losing your temper or your
self-confidence.
Ter educação
é ter a capacidade para ouvir quase tudo sem perder a calma nem a auto-confiança
.
Robert Frost
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7.
…the ordinary
course of activity of American institutions and the innumerable American private
groups show us that the ancient Greek and Roman idea of the civis
praeclarus, the dedicated citizen who spends his money in the service of
the common good, plays an essential part in American consciousness.
O curso
normal da actividade das instituições Americanas e dos inúmeros grupos privados
Americanos mostra-nos que o ideal da antiguidade Grega e Romana do civis
praeclarus, o cidadão dedicado que gasta dinheiro seu ao serviço do bem comum,
ocupa um lugar essencial na mentalidade Americana.
Jacques Maritain
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8.
I find television very educational. The minute somebody turns it on, I go to the
library and read a good book.
Acho a Televisão muito educativa. Sempre que alguém a
liga, vou até à Biblioteca e leio um bom livro.
Groucho
Marx
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9.
O senso comum é o
génio da Humanidade.
A vida é a
infância da imortalidade.
Johann
Wolfgang von Goethe
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10.
Dependence begets
subservience and venality, suffocates the germ of virtue, and prepares fit tools
for the designs of ambition.
A dependência alimenta a subserviência e a
venalidade, sufoca o germe da virtude e prepara as ferramentas adequadas aos
anseios da ambição.
Thomas
Jefferson
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11.
“Philosophy is a battle against the bewitchement of our intellect by means of
language”
Philosophical Investigations,
n 109
A Filosofia é o combate contra o enfeitiçamento a que a
linguagem submete o nosso intelecto.
Ludwig Wittgenstein
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12.
“non est
proportio creaturae ad creatorem “.
Não há
proporção entre a criatura e o criador.
“O infinito,
enquanto (qua) infinito, é desconhecido; pois escapa a toda a relação
comparativa”
Nicolau de Cusa
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13.
(a) the principle of epistemic relativity, that all beliefs are socially
produced, so that knowledge is transient and neither truth-values nor criteria
of rationality exist outside of historical time,
and
(b) the doctrine of judgmental relativism, which maintains that all
beliefs are equally valid in the sense that there are no rational grounds for
preferring one to another.
I accept (a), so disavowing any form of epistemic absolutism, but reject (b),
so upholding judgmental rationality against a- (and/or ir-) rationalism.
Relativists have mistakenly inferred (b) from (a), while antirelativists have
wrongly taken the unacceptability of (b) as a reductio of (a).
(a)o princípio do relativismo epistémico - que afirma serem todas as crenças
produzidas socialmente - leva a concluir que todo o conhecimento é transitório e
que nem os valores-verdade nem critérios de racionalidade existem fora to tempo
histórico
e
(b) a doutrina do relativismo judicativo - que afirma serem todas as
crenças igualmente (ou indistintamente) válidas, no sentido em que não há
fundamentos para preferir uma às outras.
Eu aceito (a), assim recusando qualquer forma de absolutismo epistémico, mas
rejeito (b), afirmando assim a racionalidade do juízo, contra a
não-racionalidade ou a irracionalidade. Os relativistas inferiram, erradamente,
(b) de (a), enquanto que os anti-relativistas tomam, erradamente, a
impossibilidade de aceitar (b) como uma prova da invalidade de (a).
Roy Bhaskar
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14.
"But how shall we excuse the supine inattention of the Pagan and philosophic
world to those evidences which were presented by the hand of Omnipotence, not to
their reason, but to their senses? During the age of Christ, of his apostles,
and their first disciples, the doctrine which they preached was confirmed by
innumerable prodigies. The lame walked, the blind saw, the sick were healed, the
dead were raised, daemons were expelled, and the laws of Nature were frequently
suspended for the benefit of the church. But the sages of Greece and Rome turned
aside from the awful spectacle, and, pursuing the ordinary occupations of life
and study, appeared unconscious of any alterations in the moral of physical
government of the world."
History of the Decline and Fall of the Roman Empire, Chapter 15
"The genius of Plato, informed by his own meditation or by the traditional
knowledge of the priests of Egypt, had ventured to explore the mysterious nature
of the Deity. When he had elevated his mind to the sublime contemplation of the
first self-existent, necessary cause of the universe, the Athenian sage was
incapable of conceiving how the simple unity of his essence could admit
the infinite variety of distinct and successive ideas which compose the model of
the intellectual world; how a Being purely incorporeal could execute that
perfect model, and mould with a plastic hand the rude and independent chaos. The
vain hope of extricating himself from these difficulties, which must ever
oppress the feeble powers of the human mind, might induce Plato to consider the
divine nature under the threefold modification --- of the first cause, the
reason, or Logos, and the soul or spirit of the universe. His poetical
imagination sometimes fixed and animated these metaphysical abstractions; the
three archical or original principles were represented in the Platonic
system as three Gods, united with each other by a mysterious and ineffable
generation; and the Logos was particularly considered under the more accessible
character of the Son of an Eternal Father, and the Creator and Governor of the
world. Such appear to have been the secret doctrines which were cautiously
whispered in the gardens of the Academy; and which, according to the more recent
disciples of Plato, could not be perfectly understood till after an assiduous
study of thirty years."
History of the Decline and Fall of the Roman Empire, Chapter 21
Edward Gibbon
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15.
Não é grande
mistério que, no infindo processo do fluir do tempo, enquanto a fortuna segue o
seu caminho, aqui, ali, acolá, possam surgir numerosas coincidências.
Plutarco
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16.
O grande livro da
Natureza está escrito em linguagem matemática. Os seus vocábulos são os
triângulos, os círculos e as outras figuras geométricas, sem as quais iríamos
vaguear em vão, perdidos, como se estivéssemos num escuro labirinto.
Galileu Galilei
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17.
"I contend that
we are both atheists. I just believe in one fewer god than you do. When you
understand why you dismiss all the other possible gods, you will understand why
I dismiss yours."
O que afirmo é
que somos ambos ateístas. Eu simplesmente acredito em menos um Deus que você.
Quando você perceber a razão por que não acredita em todos os deuses possíveis,
irá perceber a razão porque eu não acredito no seu.
Stephen Roberts
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18.
To anyone
infected with the idea that the human mind is unlimited in its capacity to
answer questions, a tour of 20th-century mathematics must be rather disturbing.
In 1931 Kurt Gödel set forth his
incompleteness theorem, which established
that no system of deductive inference can answer all questions about numbers. A
few years later Alan M. Turing proved an equivalent assertion about computer
programs, which states that there is no systematic way to determine whether a
given program will ever halt when processing a set of data. More recently,
Gregory J. Chaitin of IBM has found
arithmetic propositions whose truth can never be established by following any
deductive rules.
Para qualquer
pessoa infectada com a ideia de que a mente humana tem capacidade ilimitada para
responder a questões, uma volta pelas matemáticas do século XX será,
necessariamente, muito perturbadora. Em 1931,
Gödel
apresentou o seu "teorema da incompletude", onde se prova que nenhum sistema de
inferência dedutiva poderá responder a todas as questões levantadas pelos
números. Alguns anos mais tarde, Alan M. Turing provou uma tese análoga em
relação aos programas dos computadores, tese que afirma não haver um modo
sistemático de determinar se um dado programa, ao processar um conjunto de
dados, irá cessar os cálculos por reconhecer o fim desse processamento. Mais
recentemente, Gregory J. Chaitin, da IBM, encontrou proposições aritméticas cuja
verdade não pode ser provada através de nenhum sistema dedutivo.
John L.Casti
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19.
Quanto mais
enérgica for a nossa intenção de ver as próprias coisas, mais veremos
multiplicarem-se entre elas e nós as aparências pelas quais se exprimem e as
palavras pelas quais as exprimimos.
Maurice
Merleau Ponty
(referindo-se a Bergson)
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20.
The job
of the artist is always to deepen the mistery
A tarefa do artista é, sempre, a de aprofundar
o mistério.
Francis Bacon
(pintor Inglês, 1909-1992)
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21.
O tempo é uma hesitação.
Há modificações,
mas não há, sob as modificações, coisas que mudam.
Perante o
espectáculo da mobilidade universal, alguns de nós sentir-se-ão dominados pela
vertigem; estão habituados à terra firme; não conseguirão suportar o balancear
do barco. Precisam de pontos fixos aos quais possam ancorar o pensamento e a
existência. (.../...)
O mundo material,
dizem eles, vai dissolver-se, o espírito afogar-se no fluxo torrencial das
coisas - que se acalmem!!!
O movimento, se o
olharem directamente, sem interporem qualquer véu, não tardará a revelar-se como
o que há, no mundo, de mais substancial e durável. A sua estabilidade é
infinitamente superior à duma fixidez que não passa de um efémero arranjo, ou
equilíbrio, entre mobilidades.
Henri Bergson
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22.
Nós pensamos
na consciência como algo que brota e reage a um mundo exterior. Nós pensamos
nela como se fosse modelada e condicionada por estruturas externas, em vez de
possuir uma estrutura própria. Nós imaginamo-la dentro de um mundo
pré-existente, dentro de nós próprios e do nosso cérebro, e achamos que ela só é
capaz de perceber parcialmente a "realidade", o que "está fora dela". Nós
consideramo-la a fonte de uma impressão imperfeita do mundo físico. Mas isto é
apenas o que pensamos da consciência, porque não sabemos o que ela é. Alguns
acham que a consciência é uma alma que habita um corpo, outros que é um
misterioso fluxo que percorre o cérebro, outros entendem-na como uma função
neural complexa, que desperta a partir de um indeterminado nível de evolução
biológica. Mas eu penso que é impossível objectivá-la; não há forma de
objectivar a consciência! Eu julgo que nunca chegaremos ao ponto de poder dizer,
apontando para um lobo cerebral, córtex, glândula ou conjunto de electrões -
"isto é a consciência". Identificar áreas cerebrais onde se processam funções
neurológicas específicas é cada vez mais possível, graças aos avanços da
neurologia, mas penso que nunca chegaremos a poder localizar o ser da
consciência em qualquer área específica do cérebro ou, diga-se desde já, em
qualquer outro local. Não creio que ela tenha uma localização.
Eu não sei
mais sobre o que é a consciência do que outra pessoa qualquer. Mas tenho a
certeza que não está em lado nenhum, nem em coisa nenhuma, nem mesmo em momento
algum do tempo.
Eu acho que
os conceitos de "estar em", "estar onde" ou "estar quando" estão contidos
no interior da consciência. Eu acho que a consciência é tudo. E está a ser o que
é. E nunca conseguiremos encontrar "tudo" dentro de "alguma coisa". A
consciência é a vida, e o mundo está contido nela.
Samuel
Avery
[Transcendence of the Western Mind: Physics, Metaphysics, and Life on
Earth]
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23.
Nada é mais
importante na compreensão da teoria dos quanta que isto: destrói o conceito do mundo "aí
fora", o mundo dos "objectos" que o "sujeito" observava, descansadamente e em
segurança, a vinte centímetros de distância e através de um qualquer aparato de
vidro. Para observar um objecto tão minúsculo como um electrão, há que quebrar
essa barreira, esse vidro. Há que chegar até ele. Há que instalar o equipamento
de medida que foi escolhido. Fica ao critério do "observador" escolher se quer
medir a posição ou o momentum, porque medir um deles implica necessariamente não
poder instalar o equipamento para medir o outro... Mais ainda, a medição
altera o estado do electrão. Depois da medição, o universo não voltará a ser
o mesmo!!!...
Para descrever o
que se está a passar, temos de ultrapassar e deixar para trás a velha palavra
"observador" e colocar, em seu lugar, a palavra nova - "participante". Num certo
sentido, quiçá estranho, o Universo é participativo.
John A. Wheeler
[The Physicist's Conception of Nature]
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24.
...Quem é livre
nada deve aprender como se fosse um escravo; é que, enquanto que os trabalhos
físicos não causam mal ao corpo, só por terem sido feitos à força, por coacção,
nada do que se aprende por obrigação e à força permanece na alma.
Platão [Politeia,
VII]
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25.
Deus não joga aos
dados.
Albert Einstein
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26.
O papel dos
cientistas não é o de impor a Deus a forma de governar o mundo.
Niels Bohr
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27.
Darwin descobre um
lógica interna onde parecia reinar apenas o arbítrio de um Criador; insere
fenómenos aparentemente aleatórios numa sucessão harmoniosa e ilumina-os. Mas o
seu modelo não é normativo, no sentido em que não delineia um caminho para a
"evolução". A famosa lei da "sobrevivência dos mais aptos" (survival of the
fittest) está longe de determinar a evolução das espécies animais da mesma
forma que a lei da atracção da massa determina os movimentos planetários.
O principal mérito
da teoria da evolução é, em primeiro lugar, discernir um acontecimento central,
a evolução das espécies, sob o qual ordena uma multiplicidade de fenómenos.
Depois, define os conceitos que permitem explicar certas transições. Em Lamarck,
temos o conceito do desenvolvimento dos órgãos segundo o uso que deles é feito e
o conceito da transmissão hereditária dos caracteres adquiridos. Em Darwin,
temos a sobrevivência dos mais adaptados na competição pela vida. Num como
noutro, é fulcral a ideia da adaptação das espécies ao meio ambiente.
Ninguém pensa em
criticar a teoria da evolução pelo facto de não permitir prever o sentido da
evolução.
Ivar Ekeland
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28.
A derradeira e
suprema libertação ocorre quando o homem, por amor a Deus, se despede
Dele".
Eckhart ,
Sermão Quid audit me
- voltar ao topo-
29.
Os realistas
modernos - filósofos da religião, teólogos do Vaticano, clérigos conservadores,
agnósticos ortodoxos - consideram-se os defensores da "objectividade" e do
sentido tradicional da linguagem religiosa.
.../...
O outro caminho é o
da obrigação assumida, da interpretação voluntarista da religião, tal como a
defendo. A fé religiosa é uma decisão livre de assumir compromissos religiosos,
de um indivíduo aceitar viver para concretizar valores religiosos
...../....
A religião é um
assunto da vontade, não do intelecto. A fé é uma virtude, não um meio pelo qual
ganhamos informação esotérica sobre entidades ocultas. A Fé não é
cognoscível teoréticamente e, tal como demonstrei, não possuímos qualquer
informação credível sobre um Deus transcendente ao Mundo.
.../...
Se eu pudesse ter
um conhecimento factual sobre Deus, enquanto um ser objectivo distinto de mim
próprio, incluindo um conhecimento sobre qual a Sua vontade, e se estes factos
fossem convincentes e suficientes para impor sobre mim as obrigações religiosas,
então a fé seria totalmente heterogénea... Eu estaria sujeito a uma vontade
omnipotente, que me governaria a partir do exterior. Como poderia tal fé ser o
caminho para que eu atingisse a autonomia, a liberdade de espírito? Impossível.
.../...
Um Deus objectivo
não pode salvar.
.../...
Como vimos, a
ciência moderna separou, de forma efectiva, o mundo dos factos do mundo dos
valores. O mundo dos factos físicos e das teorias que se lhes referem é neutral
em relação a valores. O mundo dos valores é não factual e proposto pela vontade.
O âmbito do intelecto é a esfera dos factos e suas correspondentes teorias, o
âmbito da vontade é a esfera dos valores.
..../....
Intelectualismo ou
voluntarismo? A opção tem de ser feita: ou um, ou outro.
.../...
Na impossibilidade
de provas evidentes para as suas proposições teológicas, o intelectualismo não
tem outra escolha senão procurar garantias. Gradualmente, vai reduzindo a
religião a uma infantil dependência da autoridade paternal, que nos diz o que
pensar e o que fazer. A certo ponto deste processo a liberdade espiritual e o
poder redentor são expulsos e totalmente postos de lado. Toda a gente reconhece
este facto: o dogmatismo autoritário mata a liberdade, e não há poder redentor
sem liberdade.
Don Cuppit, [Taking Leave of God, scm
classics, pags. 135,136]
- voltar ao topo-
30.
Crente, porque
razão te vejo eu invejar o teu vizinho, o que ele come e o que ele bebe, a sua
mulher e o seu lar, o gozo que faz dos seus bens, das benesses do seu Senhor ( O
Omnipotente e Glorioso) e do destino que lhe foi dado? Não percebes que essa
inveja enfraquece a tua fé, faz-te cair para longe do olhar protector do teu
Senhor (O Omnipotente e Glorioso) e tornas-te odioso para Ele? Não ouvistes a
tradição que vem desde o Profeta (que Allah o abençoe e lhe dê paz) segundo a
qual Allah lhe disse, entre outras coisas: " O invejoso é o inimigo da minha
benção." Não ouviste também as palavras do Profeta ( que Allah o abençoe e lhe
dê paz), quando disse: "A inveja devora as boas acções tal como o fogo devora a
madeira".
O que é que te leva
à inveja, pobre desgraçado? É o destino do teu vizinho, ou o teu? Se invejas o
destino dele, que Deus lhe deu em conformidade com as Suas palavras " A todos e
cada um deles distribuímos os meios de sobrevivência na vida deste mundo
(43:32)", então estás a ser injusto com esse homem, porque o que ele goza mais
não é que o que lhe foi dado pela benção Divina, uma dádiva gratuita, que Deus
lhe atribuiu por Sua Vontade, e de que nenhuma parte foi dada a outro. Como tal,
quem pode ser mais tonto, ganancioso e insensato que tu, oh invejoso?
Se, no entanto, o
invejas por achares pequena a tua parte, então mostras a mais profunda das
ignorâncias, porque a tua porção nunca será dada a ninguém senão a ti, e nenhuma
parte da tua porção será transferida de ti para outro. Tal não podia estar mais
longe ( da vontade de Allah). Como Allah, o Omnipotente e Glorioso disse:
"A Palavra não se
distorce Comigo. Eu não sou um abusador dos meus servos" (50:29).
Sheik Abd
al-Qadir al-Jilani,
[Os Setenta e Oito Discursos, 37º Discurso, Admoestação
da Inveja] - voltar ao topo-
31.
Sabe-se que, para
Kant, o juízo de gosto tem uma pretensão legítima à universalidade. Se bem que
tal juízo - "este objecto é belo" - não seja susceptível de argumentação
conceptual, é possível discutir sobre o valor da obra de arte, porque a emoção
(a sensação) estética é comunicável, adquirindo uma legítima pretensão ao
assentimento de todos. De onde vem a legitimidade da pretensão do juízo de valor
de valer universalmente? Do senso comum que existe em todos os homens.
Citando Kant:"Sob esta expressão de "sensus communis" deve-se compreender a
Ideia de um sentido comum a todos, quer dizer, de uma faculdade de julgar que,
na sua reflexão, tem em conta, ao pensar, o modo de representação de todos os
outros homens, a fim de ligar, por assim dizer, o seu juízo a toda a razão
humana e escapar, deste modo, à ilusão.... (Kant, Crítica da Faculdade de
Julgar)
.../...Quer isto
dizer que, para Kant, a relação entre o contemplador e a obra nunca é uma
relação dual fechada; mas supõe sempre já um outro, dois, n
outros, todos os outros possíveis. Se o prazer do belo é imediatamente
comunicável é porque o outro - o outro transcendental, não empírico - estando já
em mim (antes mesmo de eu comunicar empiricamente com um outro qualquer) me faz
sentir o apelo imediato à comunicação; e a comunicação (com um outro
transcendental) é desejo de universalidade.
.../... Há assim um
laço íntimo entre gosto, desejo de acordo e comunicação que funda uma comunidade
humana que, em princípio, deve tender para o consenso no gosto. Mais: se
atentarmos que, para Kant, a arte imita a natureza e que é por isso que o génio
(o criador artístico) realiza obras belas, então vai-se constatar uma nova
relação entre natureza e universalidade do gosto. Quer dizer, não é porque o
génio detém um conhecimento superior que ele cria formas belas, porque nenhum
conhecimento pode fornecer uma regra do belo; mas sim porque nele, criador, se
exprime a natureza. Na fórmula de Kant:"o génio é a disposição inata do espírito
pela qual a natureza dá as regras à arte". É a natureza que "calcula" a
justa medida do que é necessário, de imaginação e de entendimento, para produzir
uma obra bela. E esse "cálculo" é, para nós, indeterminado e indeterminável. Ou
seja: há um laço fundamental entre a natureza e a pretensão à universalidade do
gosto estético. Se esta pretensão funda a comunicação, visando o acordo de todos
os homens, então é a presença da natureza na arte, não enquanto objecto
representado, mas como agente de um fazer criador da obra que
ultrapassa os simples poderes (do conhecimento) do artista.
José Gil,
["Sem título" - Escritos sobre Arte e Artistas, Relógio D'água, págs. 72]
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32.
“We shape our
buildings, and afterwards our buildings shape us.”
"Nós damos forma
aos nossos edifícios e, mais tarde, são eles que nos dão forma a nós"
Winston
Churchill
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33.
"The kind of
government that is strong enough to give you everything you need is also strong
enough to take away everything that you have."
Um Governo que seja
suficientemente forte para te dar tudo o que precisas é também suficientemente
forte para se apropriar de tudo o que é teu."
"It's probably true
that hard work never killed anyone - but why take the chance?"
"É provavelmente
verdade que o trabalho árduo nunca matou ninguém - mas para quê arriscar?"
Ronald Reagan
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34.
Be fearfull when
others are greedy, and be greedy when others are fearfull"
"Sê cauteloso,
quando os outros estão a querer ganhar muito, e tenta ganhar muito quando os
outros estão a ser cautelosos"
"After all, if you
are in the shipping business, it's helpful to have all of your competitors being
told the Earth is flat."
"Afinal, se estás
no negócio da navegação marítima, dá um certo jeito ter todos os teus
concorrentes a serem informados de que a Terra é plana."
Warren Buffet,
Berksire's Annual Report, 2006
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