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Aí se denuncia o congénito sinal de um vazio em que as categorias ideais do pensamento declivam solicitando o apoio de sinais persuasivos mais imediatos e concretos. No discorrer mental que é o do nosso tempo há uma tão obscura indefinição dos modos como o pensar humano a si próprio se reconhece, que sinceramente duvidamos que a grande maioria dita responsável fale de raciocínios sabendo o que é raciocinar, fale de conceitos sabendo o que é conceptualizar, fale de ideias sabendo o que é idealizar. Longe de qualquer impróprio formalismo de circunstância, ou inconfessado intento que com a já passada escolástica se confunda, a revista Escola Formal pretende assumir, para aqueles que a leiam e meditem a consciência das razões lógicas inseridas no seio do discurso e do pensamento. Essa consciência é assumida pela forma, que é a garantia da presença dos seres no espaço e no tempo. Só ela fundamenta o pensamento no caminho certo da substancialidade, só ela concede ao discurso a consciência da sua situação perante as possibilidades do universo lógico. Para o humanismo, estamos certos, este caminho representará o fim de um pensar cada vez mais decadente e estéril em face de uma necessária epistemologia. Temos de confessar que a dialéctica do nosso mundo ao mesmo tempo que ambiciona explicar as coisas, retira-se delas. Ao mesmo tempo que deseja a interioridade, só sedimenta compromissos com as superfícies exteriores. Reconhecemos que em seu nome longa tem sido a nossa espera, já que em qualquer campo onde esta se comprometa assistimos à voraz destruição, pela ideia de um remoto futuro, de valores eternos do passado e do presente. Parece-nos que não há para a filosofia outra alternativa senão a lúcida coragem de restituir a formalidade ao pensamento. Ao contrário do que muitos defendem, não é a formalidade repulsiva do exercício independente e livre do saber e do pensar, mas sim a presença lógica que solicita o juízo certo de todos os modos intelectuais que no pensamento humano se implicam. Se esta revista tem o nome de Escola Formal é porque entendemos que há uma razão constituinte e libertadora que de todos os seres se aproxima sem lhes alterar o sentido que, segundo a natureza, os identifica e personaliza. Aqui convém sugerir e realçar a importância de uma didáctica que desperte a alma para a luz do espírito. É essa a nossa intenção. Esperamos que os nossos leitores compreendam e aceitem que urge elucidar em todos os portugueses a consequência das ideias que dizem defender. Assim o exige o exercício responsável desta difícil liberdade em que vivemos.
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