Nota de introdução:
A Escola de Filosofia Portuguesa é o lugar de solitários, disse o autor deste texto na conferência «Filosofia Portuguesa hoje»que decorreu
na Biblioteca Municipal de Sesimbra no dia 24 de Novembro (2007). O orador suspeitava que as suas palavras o deixariam ainda mais solitário.
Assim foi: ao silêncio sobre as interrogações a propósito da nova geração da filosofia portuguesa sobreveio o argumento
ad hominem, num estilo pouco comum no debate de ideias. Hoje, o autor dedica as suas palavras a Álvaro Ribeiro
e Orlando Vitorino.
«O tolo é como préstito infindável De fantasmas e deuses. Lá vai êle, No sítio mais exposto aos inimigos.
É a labareda efémera, afrontando A eterna escuridão, o eterno frio.»
Teixeira de Pascoaes
Convoca á oração alguém que, sublinha o poeta, não merece resposta de animais, entre os quais jumentos, nem de ecos fantásticos. Porque o
tolo nada diz ou sabe dizer e, se acaso, dos presentes alguma compreensão há, vantagem levam sobre quem, vivendo na eterna idiotia, sentado na
ponte, ignora e não compreende. Tendes pois, perante vós, um tolo de oratória rarefeita que, não obstante desconfiar que as palavras têm peso,
conta e medida, tem por certo que nada Vos dirá. Em boa verdade, são palavras sem hipótese de eco no Firmamento e os mais atentos sabem que não
passam de sons pouco razoados e imperceptíveis.
(Editorial de apresentação
da revista, na sua publicação "on-line")

Leonardo é uma iniciativa da mais nova geração da Escola da Filosofia Portuguesa, tradição poética
e filosófica que se iniciou com Sampaio Bruno e formalizou num «organon» principial com Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra na
Renascença Portuguesa.
Depois, surgiram os continuadores, com a geração de José Marinho, Álvaro Ribeiro e, mais tarde, Orlando Vitorino, que desenvolveram a
doutrina e sistematizaram as teses. A geração dos mais velhos está ainda representada por António Telmo e Pinharanda Gomes,
que nos garantem o magistério da palavra e a iniciação numa tradição que tem vindo a aperfeiçoar a expressão poética e filosófica.
Pertencer à geração da Escola da Filosofia Portuguesa exige um compromisso espiritual: é de sua livre opção que, todos nós, os da «Leonardo»,
aceitam conviver em tertúlia segundo o magistério que vai de mestre a discípulo e que caracteriza a iniciação filosófica e literária assegurada
sem interrupção, desde há 150 anos, ao longo das sucessivas gerações.
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Textos de Francisco Moraes Sarmento
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A situação política da língua
A língua dispõe duma relação étnica assinalada pela semântica, sintaxe e estilística, aspectos que, digamos,
reflectem modos próprios de imaginar, pensar e sentir de cada povo. O idioma mostra o carácter e o grau de civilidade do seu
ideal de homem e do mundo. A gramática é primeira iniciação à ideia de Pátria e o estilo, sinal do logos, é a razão eficiente
das línguas que se tornam símbolos de pátrias. A arte poética ensina-nos que as palavras emergem do espírito e que, por
conseguinte, é de sua natureza o serem invioláveis.
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