O Platonismo de Aristóteles,
ou a 1ª frase da Metafísica

(...) A incompreensão do conceito de forma, a morfê, que Aristóteles irmanava com a energeia, ou a energética, e logo, com a cinética, levou os comentadores, gradual e erroneamente, ao conceito da forma como figura, irmanada com o limite, com o que encerra a matéria, ou ulê, e logo, queda na estática.

Esta incompreensão, que degrada a forma Aristotélica, mórfica ou movente, em figura Euclidiana, estática e coisificada, ao aprisionar numa cegueira infeliz muitos dos que estudaram e estudam os principais filosofemas dos dois filósofos de Atenas, leva-os a concluir que Aristóteles se opôs ao mestre, dadas as diferenças que julgam encontrar separando e opondo a doutrina aristotélica das Formas à doutrina platónica das Ideias.




A morte do verbo volir
– II parte

(Gramática de Hermes IV)

Volir, um verbo categorial

O verbo volir é, na filosofia das línguas que o podem declinar, o verbo cujas formas aglutinam os processos elementares do agir com uma finalidade predeterminada e do decidir que determina essa finalidade. Só pode volir quem se reconhecer agente  com o poder íntimo suficiente para exercer esses processos.. Assim, volir aglutina, como faculdade, causa e motor, os processos psíquicos da decisão, os processos lógicos do juízo, os processos sociais do fazer, os processos politicos do eleger, do legislar e do governar, o processo militar de comandar, o processo religioso de obedecer ao mandamento ou aderir ao dogma. Todos os verbos que significam estes processos – decidir, julgar, fazer, decretar, legislar, mandar, ordenar, obedecer -  convergem em volir, como se este fosse o seu máximo género, o seu verbo categorial.




«A Morte de Portugal»

de Miguel Real

O Destino de Portugal é a incógnita que Real, neste livro, falhou; é o quarto termo, a chave para a analogia.

Sem teorizar o Destino de Portugal, sem nos transmitir, portanto, o «ver a Pátria», Miguel Real, para suas e nossas incomodidade e frustração, acabou remetendo-se e remetendo-nos para a contraface plúmbea desse Destino, uma inominada Fatalidade, que nunca mencionou directamente, mas corporizou na decadência quase ininterrupta que vai descrevendo e, já em etapa derradeira, no «fim anunciado» que resultará do canibalismo cultural Português que considera vigente até aos dias de hoje.

Uma nota sobre
DESCARTES e ESPINOSA



Autor: Jonathan Bennett


Tradução: Joao Seabra Botelho

Descartes era um dualista e Espinosa um monista. Se isto determina um contraste entre eles, deveria haver uma qualquer questão à qual Descartes teria respondido “dois” e Espinosa “um”.Vejamos então:

a)Quantas substâncias há?
Espinosa: “Uma”. Descartes “Específicamente, uma; mas se abrirmos um pouco o critério que define substância, milhões”. Nunca, em relação a esta questão, Descartes alguma vez respondeu “dois”.

b)Quantos tipos básicos de substância há?
Descartes:”dois”; Espinosa “dois: embora haja apenas uma substância, ela é de dois tipos”.

Textos de João Seabra Botelho

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O Aristotélico insubstante do Platónico Marinho

  I - Do Aristotelismo ao vero Aristóteles
II - Hipóteses longínquas; Peri philosophia?
III - A eufonia e o laconismo
IV - O Aristotelismo de Álvaro Ribeiro
V - O Platonismo de Aristóteles: 1ª frase da Metafísica
VI - A era de Zeus, a Anamnese e Tradução da 1ª frase
 

Sentimentologia

  Excursão I - A eutímia Excursão II - A eudaimona
Excursão III - A protímia ou perseverantia
Excursão IV - A epitímia ou desiderium
 

Gramática de Hermes

  I - Agente e sujeito
II - Essenciativos e entitativos
III - a morte do verbo sensir
IV - a morte do verbo volir - I parte
IV - a morte do verbo volir - II parte
 

Memórias

  Memórias I
Memórias II
Memórias III
Memórias IV
 
outros textos...
  Aporia e Antinomia - Notas sobre José Marinho e Kant
Olavo de Carvalho - «Aristóteles em Nova Perspectiva»
Mário Ferreira dos Santos, Philosophus Brasiliensis
Divergências de T. de Pascoaes e F.Pessoa
Traduções Árabes de Aristóteles
Notas sobre Astronomia Matemática Arábica e Khwarizmi
Idealismo, hoje?
A Física após Einstein e suas consequências na Filosofia
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Um tema piramidal
Os axiomas de Zermelo-Fraenkel
O logaritmo
Os Números
Nota breve sobre a Teoria dos Conjuntos
Pensamento e consciência
Como é possível não filosofar?
Referendum
Ética, Liberdade e Poder Judicial
Maimonides, o gigante do Judaismo Medieval
O maior escândalo académico do Sec.XX
Autismo e Poder Mental
 

Sentimentologia – Excursão IV
Epitímia

A epitímia, o desejo ou o desiderium latino, é o sentimento que completa uma tríade composta ainda pela eutímia, ou tranquilitas e a protímia ou perseverantia, de que já falámos.

Começámos pela tranquilitas e pela perseverantia, por estes sentimentos se acomodarem sem dificuldade de maior no léxico habitual do nosso convívio quotidiano. Agora, cabe falar da epitímia e, também, do que está na origem desta tríade sentimental, o timo, ou tumo, e o que há a dizer poderá soar bem mais estranho.

Mais estranho, pois do timo resta-nos a memória escassa de umas poucas palavras, quase todas longínquas e obscuras. Este apagamento do timo vem de longe, mas foi reforçado modernamente pela ciência positiva, já que esta ciência não encontra, da acção do timo, rastros químicos ou físicos que possa identificar e incluir na sua tabela de causas e efeitos e comprovem a sua importância para o desenvolvimento e a saúde do corpo humano. Logo, em relação ao timo a ciência, hoje, parece limitar-se a dizer-nos que se trata de uma modesta glândula, oculta e esquecida por detrás do coração, que apresenta forma semelhante a uma borboleta e se desenvolve apenas até ao termo da puberdade, não dando evidência de desempenhar outra função que não seja a de segregar um elemento essencial ao sistema imunitário.

Na Antiguidade, porém, do tumo provinha uma das energiais vitais mais primárias e profundas que, como veremos adiante, nos deixou frequentes sinais da sua presença. Esses sinais, hoje, parecem ter desaparecido. Curiosamente, porém, sem que lhe façamos referência directa, o tumo mantém-se subterrâneamente presente, pois é bem nas nossas entranhas que, por vezes, somos desagradavelmente surpreendidos pelo pânico que nos provoca o mais temido inimigo da saúde humana! Falamos daquela forma natural que cresce rápida, desordenada e, por vezes, letalmente, a que vinculamos o timo, ou tumo, já que lhe chamamos um “tumor”.