nota breve sobre
A Teoria dos Conjuntos
A Teoria dos Conjuntos é um tema mais propriamente matemático, que filosófico. Mas é inegável que toda a Matemática
assenta em lógica e princípios meta-matemáticos que dificilmente se diferenciam de certos temas filosóficos.
Sem pretender percorrer todas as ramificações dos temas matemáticos nem alcançar a extraordinária especialização
de alguns deles, o que exigiria um domínio das linguagens simbólicas só possível com o estudo e a prática diária, durante
muitos anos, não podemos deixar de tentar olhar para as raízes e o tronco comum em que essas ramificações nasceram,
dada a curiosidade que nos impele para além das justas reservas ditadas pela humildade de quem tem noção da sua ignorância.
Há, porém, boas razões para dar asas à curiosidade... Desde sempre se soube (ou não tivesse sido o "matemático" Pitágoras o
primeiro dos filósofos)) que o pensamento só tem a ganhar com a prática da resolução dos problemas matemáticos, que proporciona um excelente
exercício de adestramento intelectual. Acresce que alguns temas matemáticos são matéria intelectual suficiente para cogitar uma vida
inteira e a progressiva compreensão dos seus elementos parece fonte de intenso gozo intelectual, lendo as convincentes descrições
e testemunhos que já muitos nos deixaram registados nos seus escritos...
O Prof. Andrew Wiles, por exemplo, procurou durante vários anos encontrar a demonstração para o "Último Teorema de
Fermat", demonstração que permaneceu oculta por trezentos anos. Ele descreve assim como se processa o desenvolvimento dos
conhecimentos matemáticos:
"Talvez a melhor forma de descrever a minha experiência de fazer matemática seja a de usar a imagem de uma ampla
mansão que se encontra totalmente às escuras. Entramos no primeiro quarto e está escuro, muito escuro. Começamos lentamente a andar,
batendo aqui e ali nos móveis e tropeçando neles. Gradualmente, identificamos o lugar de cada móvel.
Talvez seis meses depois, encontramos o interruptor e acendemos as luzes Subitamente, fica tudo às claras, e vemos exactamente
onde estamos, e vemos aquilo que nos rodeia. Depois, entramos no quarto escuro seguinte..."
Um diagrama de Venn é uma forma de ilustrar relações entre conjuntos. Embora seja simples definir um conjunto
como "um grupo de objectos que têm algo em comum", não é difícil de perceber que, afinal, a noção de conjunto tem sido
tema de discussão desde a Lógica de Aristotéles até ás Matemáticas mais recentes. Associado a esta noção estará um
modelo axiomático, ou regras estruturantes de um sistema de lógica. Esse mesmo "conjunto de axiomas" (que dá a definição
do que é um conjunto...) foi objecto de profunda análise... Faz lembrar o jogo das "caixas chinesas"...
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Um dos Autores que já trouxemos a este
sítio, Kurt Godel, conseguiu fazer
afirmações "revolucionárias" sobre as características desse conjunto, o sistema
axiomático. Mas já outro autor, Cantor, havia também deslumbrado com o seu
"Paraíso dos Conjuntos Infinitos". Enfim, a filosofia da Teoria dos Conjuntos é
um tema vivo e, para alguns, apaixonante.
Geralmente, os Diagramas de Venn são usados para descrever intersecções entre conjuntos. A intersecção é uma
das relações possíveis entre conjuntos, e costuma representar-se com a inversão da letra U, seja em matemática teórica, seja
nas ciências ou em trabalhos de engenharia, de informática ou de estatística.
O diagrama abaixo exemplifica a relação entre três conjuntos que se sobrepõem. A intersecção equivale, normalmente, ao termo
lógico AND, podendo definir-se da seguinte forma: a intersecção de dois conjuntos é o conjunto que contém os elementos comuns a ambos
os conjuntos. Por exemplo, a intersecção do conjunto de 5 elementos {1, 3, 5, 7, 9} e do conjunto de 4 elementos {1, 4, 9, 16} é o conjunto de
2 elementos {1, 9}. Portanto, qualquer elemento da intersecção terá de ser membro de todos os conjuntos interseccionados.
Os diagramas de Venn desenham-se sobre um rectângulo que abarca todo o diagrama e que representa o universo em causa, ou seja,
o conjunto de todos os indivíduos em consideração.
Neste exemplo, esse universo é o rectângulo maior e todos os indivíduos que não são membros dos conjuntos cuja intersecção
pretendemos representar são denotados com os pontos em cor cinzenta. Os pontos pertencentes apenas ao conjunto X são azul turquesa,
os pontos exclusivos do conjunto Y estão em magenta, os pontos só do conjunto Z são amarelos.
Os pontos comuns a X e Y, mas não a Z, estão em azul, enquanto que os pontos resultantes da intersecção de Y e Z, mas não X, são vermelhos.
Os pontos comuns a a X e Z, mas não a Y, estão em verde. Os pontos comuns aos três conjuntos estão a negro.
Vejamos um exemplo prático... O universo será o conjunto de todas as viaturas em Portugal. O conjunto X representa todos os
monovolumes existentes nesse universo. O conjunto Y representa todos as viaturas a gasolina super, e o conjunto Z representa
todas as viaturas com ar condicionado.
Assim, um monovolume a gasolina mas sem ar condicionado será um ponto na região azul. Mas se for instalado ar condicionado nessa viatura,
passará a integrar o conjunto dos pontos a negro. Se mudar de gasolina para diesel, passará ao conjunto dos pontos em verde.
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